quarta-feira, 19 de março de 2014

Das angústias de ser professora de Educação Infantil



E esse ano começou daquele jeito difícil que já é costume de inicio de ano letivo só que com um enorme agravante: até então turmas de Educação Infantil tinham direito a uma auxiliar em sala, mas este ano não. 

Disseram-nos que A LEI, garante uma auxiliar para cada duas turmas... Estranho, durante os outros anos que a escola funcionou sempre teve uma auxiliar em cada sala... Estava fora da lei? Não vou aprofundar essa questão específica porque o farei em outro post, mas resumindo, o que já era complicado foi agravado neste inicio de ano.

A escola em que estou, Escola de Tempo Integral do Município de Goiânia é uma escola bem singular porque atende crianças da Educação Infantil e do Ciclo 1 no mesmo ambiente. 

Questões de estrutura física a parte, a questão que fica evidente lá é o desconhecimento que professores de Ciclo tem do que é Educação Infantil e vice e versa. 

E é até por isso que sempre tenho dito que uma integração se faz necessária o mais rápido possível. As dinâmicas, a rotina, as diretrizes, os referenciais de disciplinas e de direitos das crianças não são comuns nessas modalidades, o que é claro, não é apenas responsabilidade dos professores, é também questão de políticas adotadas pela secretaria de educação.

Todo ano professores da educação infantil ouvem críticas nada construtivas, do tipo: "Eles só brincam", "eles não conseguem fazer fila", "eles não sabem isso", "eles não sabem aquilo" o que de longe é o maior problema. O maior problema é que essas críticas demonstram claramente que esses professores não conhecem a concepção do trabalho pedagógico na Educação Infantil.

Mas esse ano, ah... esse ano, as coisas passaram do limites....

Na primeira semana fomos convidadas para uma reunião: professoras do ciclo com professora da educação infantil. Eu, ingenuamente, fui toda contente pela iniciativa e muito disposta a falar sobre nosso trabalho, esclarecer pontos de divergência e expressar minha grande preocupação nesta transição onde quem sofre as maiores e mais graves consequências é a criança.

Mas o que eu ouvi... O que eu ouvi, muito me espantou e me deixou, tipo, nem sei a palavra mais adequada.

1ª frase chocante: "Eles não sabem ouvir" 

Meus pensamentos: Como assim, não sabem ouvir? Será que elas acham que passamos dois anos com essas crianças apenas deixando-as falar, fazer o que quisessem, sem nada pedagógico intencionalmente planejado? Estão nos chamando de babás? Professoras incompetentes?

Mas pera lá, eles não sabem ou não QUEREM ouvir? Primeira semana de aula, a criança "perdeu" a antiga professora, "perdeu" o ambiente do qual já havia se apropriado, "perdeu" alguns colegas, "perdeu" a antiga rotina, "perdeu" vários direitos antes garantidos pelas proposta da Educação Infantil, "perdeu"...

Elas estão em processo de luto, e qual é a primeira fase do luto????? Qual? Qual??

A negação!!! Isso mesmo.

Então eles sabem ouvir sim, mas NÃO QUEREM!

Confesso que foi terrível constatar como, mesmo depois de anos e anos de carreira e experiencia, as pessoas se deixam levar pelos artifícios da mente humana que para impedir que faltemos ao trabalho e até mesmo desistamos dessa profissão, nos faz esquecer a situação real de como foi o ano anterior, deixando a lembrança sempre mais doce, calma e fácil do que a verdade.

Por favor, professoras, pensem, analisem a situação, reflitam para além do que está te apavorando naquele instante antes de falar!

Essa 1ª frase foi chocante demais pra eu continuar esse post hoje!! 
kkk Em breve continuo o assunto!


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